OS TOQUES DE BERIMBAU QUE EU UTILIZO

Costumo afirmar que o bom andamento da roda de capoeira é de responsabilidade de todos os participantes, principalmente do responsável pela roda, que deve conhecer e dominar todos os fundamentos e ainda ter pulso firme para conduzir o ânimo dos capoeiristas. 

Nas rodas que eu realizo, através do gunga, vou "ditando" o ritmo da bateria. Nesse sentido, procuro acelerar a cadência de forma harmoniosa e natural, à medida que vou “virando” o toque, não só para animar os participantes, mas também contextualizar o comportamento dos mesmos a cada momento da roda.

Por essa razão é que os toques de berimbau que eu utilizo recebem a nomenclatura e o significado apresentados a seguir.

Angola

Toque de cadência geralmente lenta (em relação aos demais toques), que eu utilizo para iniciar a roda para o qual sugiro cautela e observação.

No início de qualquer roda de capoeira, é importante sentir o "clima" do dia (principalmente quem está dirigindo a roda tem essa responsabilidade), pois nenhuma roda é igual à outra, mesmo se for sempre formada pelos mesmos integrantes (afinal de contas, o ânimo e o humor, por exemplo, nunca são os mesmos todos os dias).

À medida que esse "clima" vai se revelando é que eu tenho a possibilidade de perceber se devo ou não "virar" o toque. 

Para ouvir o toque, clique aqui

São Bento Grande

Com tudo em harmonia com meus fundamentos e filosofia e uma vez todos já familiarizados com o "clima" da roda, uso esse toque para começar a "animar" os jogadores. É um toque para um jogo "amistoso", porém compromissado como todos os outros. Nesse toque sugiro que os capoeiristas comecem a “mostrar suas cartas” acrescentando ao jogo movimentos característicos da nossa região (como as acrobacias, por exemplo).

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São Bento Pequeno

É o momento da roda em que se destacam os meus alunos mais experientes, pois, além da cadência que eu imponho através desse toque, é nele que proponho um comportamento que valorize mais a marcialidade da capoeira que eu ensino.

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Jogo de Dentro

Utilizo para o encerramento da roda com o "jogo de compra" entre meus alunos. Nesse momento não é necessário cantar, para que a atenção da assistência fique ainda mais concentrada nos jogadores, além do que, deixe também em evidência, o "swing" da minha bateria.

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Samba de Roda

Como o próprio nome sugere, é um toque onde as mulheres da roda começam a sambar e mostrar, de forma sutil, toda sua sensualidade, o que é muito convidativo para que os capoeiristas "caiam" no samba. Geralmente uso após o encerramento da roda e com certeza, é o momento mais descontraído dos encontros que realizo.

Para ouvir o toque, clique aqui:

Está dito.
Mestre Ribas.

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